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Criaticidade

Crimes devem servir para impulsionar ações no Pico do Urubu

Precisamos de olhares propositivos sobre o assunto, já que Mogi das Cruzes está rodeada pela natureza; veja fotos

Josué SuzukiPublicado em 13/01/2022 às 17:59Atualizado há 12 dias
Eisner Soares
Eisner Soares

Editorial de O Diário sobre o Pico do Urubu é inspirador e assertivo: "Mais do que blindar a imagem do Pico do Urubu e da Serra do Itapeti, deve prevalecer a adoção de medidas e avisos que garantam a segurança dos visitantes."

A discussão é necessária, afinal, este pedacinho aqui em Mogi, que também é abençoado por Deus e lindo por natureza, tem servido como desova de vítimas de crimes violentos, como o que ocorreu no final de semana, quando uma dona de casa foi encontrada morta nas proximidades da mata.

No ano passado, um casal foi rendido no Pico do Urubu. O “sequestro” acabou com a morte do policial Felipe Murakami Silva, em Itaquaquecetuba, para onde os bandidos o levaram.

O editorial de O Diário lembra que tais ocorrências “abalam a imagem do lugar e de Mogi das Cruzes.” E cobra: “Sem a solução para a violência, paliativos precisam ser adotados pelo poder público e pela sociedade.”

Mas também é preciso pensar com mais abrangência. Em entrevista a este canal, Ana Carla Fonseca, doutora em urbanismo pela USP e especialista em Cidades Criativas, comenta o assunto. Ela lembra que, principalmente neste momento de reclusão que vivemos, as pessoas estão buscando cada vez mais contato com a natureza. “E o contato com a natureza, em termos de tendências de turismo, é um dos grandes fatores alavancadores do que se convenciona de se chamar de turismo da proximidade.”

Ana Carla fala tem conhecimento para opinar. Ela liderou projetos multinacionais de inovação e gestão por 15 anos, é consultora, vencedora do prêmio Jabuti em economia e é dela a primeira tese de Cidades Criativas no Brasil. Ana Carla também foi apontada pelo jornal El País como uma das oito personalidades brasileiras que impressionam o mundo.

Na entrevista, ela nos convida a ter olhares propositivos sobre o assunto, principalmente lembrando o fato de que Mogi está rodeado pela natureza. E buscar um ponto forte para pensar de onde se vive para buscar olhares propositivos é um dos pontos fundamentais do contexto de Cidades Criativas.

Ana Carla comenta: “Atrair o turismo de forma que leve o próprio residente a entender o valor da sua cidade por meio do olhar do turista. Quando começamos a mostrar o que temos, serve de impulso para as cidades se repensarem e se valorizarem. É um ativo fantástico para este momento”, enfatiza.

Não é exagero dizer que o Pico do Urubu é um dos maiores patrimônios naturais de Mogi das Cruzes. Neste mesmo canal, noticiamos em julho do ano passado o anúncio do tombamento da Serra do Itapeti.

Mas não estamos fazendo o básico, que é amenizar a criminalidade que sobe a serra.

Não é difícil encontrar mentes em nossa terra que possam sugerir ações. A palavra ideia é linda, mas ganha brilho quando é colocada em prática. Para isso, é preciso incentivar a discussão.

Cobrar uma taxa para visitar o local seria uma saída? Melhorar o acesso, iluminar? É possível desenvolver e preservar? Explorar o turismo e cuidar? Tudo é possível quando se pensa. Mas ainda deixamos a desejar quando o assunto é...pensar.

E pensar o Pico do Urubu não é apenas uma prioridade. Deve ser obrigação.

Afinal, é nosso pedaço abençoado por Deus e lindo por natureza.

Cuidemos dele!