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PARCERIA

Empresários destacam importância do Ação em Rede

Associados à AGFE buscam meios de melhorar a qualificação profissional e atrair colaboradores da cidade

O DiárioPublicado em 08/01/2022 às 10:05Atualizado há 8 dias
Eisner Soares
Eisner Soares

Empresários associados à AGFE destacam a importância do Ação em Rede e buscam meios de melhorar a qualificação profissional e atrair colaboradores da cidade. Parceria do jornal O Diário, TV Diário e Agência Gestora do Fomento Empresarial (AGFE) busca tratar alguns dos maiores desafios identificados pelo pool formado por 20 empresas, responsável pela geração de 24 mil empregos diretos em Mogi das Cruzes.

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Faltam soldador, contador, mecânico

Um dos objetivos da Ação em Rede vislumbrado por Fábio Albuquerque Marques Velloso, diretor executivo da JSL e Vamos, que mantém sede em Mogi das Cruzes e atua nos braços de logística, transporte rodoviário e de cargas, é encontrar soluções que individualmente essas empresas levariam mais tempo para concretizar. “É atender ao que é conhecido, juntos podemos chegar mais longe, e mais rápido e com menores dificuldades pelo caminho”.

Velloso comenta que o Ação em Rede, uma das atuações da Agência Gestora de Fomento Empresarial (AGFE), é buscar meios de desenvolver  programas conjuntos para a retenção do trabalhador na empresa.

“As pessoas costumam usar o exemplo de que falta soldador em Mogi. Mas, na realidade, há outros profissionais em áreas como as de contabilidade, administrativa e até de nichos especializados, como a de mecânica especializada, que precisamos buscar fora, em outras cidades”, acrescentou.

Responsável por contratar dezenas de pessoas por mês, o setor de Recursos Humanos da JSL e do grupo Vamos, assim como os das demais empresas, elege a falta de qualificação profissional como desafio atual e futuro.

A criação de um banco de dados único com as oportunidades na cidade, destaca Velloso, por fim, dará ganho para as empresas e a sociedade. “Será uma forma de atualizar o mercado e dar rapidez à consulta dos profissionais que podem ser contratados”, disse.

 Quatro erros na palavra  ‘empresa’

Os exemplos reunidos pelo executivo Daniel Knudsen,  CEO e diretor da RUD Correntes, em Mogi das Cruzes, sobre erros de escrita de candidatos de nível superior em processos de contratação faria corar todas as professoras de português do mundo. Ele é um dos entusiastas da ideia de participação das empresas no ordenamento da formação do trabalhador brasileiro, especialmente nos próximos anos, no pós-pandemia. A qualificação profissional, além da valorização do setor, norteia a reunião destas 20 empresas na AGFE.

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“A nossa educação básica e média é muito ruim, e o que notamos, nas contratações, é que o ensino superior não resolve a falta de formação no início da vida estudantil do cidadão”. Segundo ele, de cada mil currículos, 700 passam em uma primeira peneira e, para a entrevista, propriamente dita, ficam meia dúzia.

Ele lembra que, um dos testes que mais chamou a atenção, foi para um cargo de nível superior, em que o candidato teve quatro erros ao escrever a palavra empresa, que tem 7 letras.

Knudsen explica que o segmento segue processos, “receitas fechadas, que não mudam” e que poderiam ser facilmente assimilados. “O problema é que o candidato com dificuldades nas quatro operações básicas não desenvolve um nível de entendimento mínimo para seguir essa receita que já temos, e não muda”.

Ele teme, sobretudo, o nível das próximas gerações, afetadas pelo apagão no ensino nos dois anos de aulas híbridas. “A nossa participação será ajudar para melhorar a formação e não perder os candidatos”, revela.

  

Preparar as pessoas para o futuro

A maior parte das empresas alinhadas à AGFE está no seleto grupo de principais geradoras de renda, emprego e faturamento de Mogi das Cruzes.

“Essas empresas têm uma visão muito detalhada sobre os processos de contratação que precisam ser melhorados, potencializados”, afirma o presidente da AGFE, Fábio Hoelz de Matos, da Elgin Máquinas, empresa que está em atividade há sete décadas e tem sede em César de Souza.

“Nós somos fãs de programas de descoberta de talentos, a partir dos estágios, e de políticas como a do Menor Aprendiz. E podemos melhorar essas e outras iniciativas, de acordo com as inovações que nasceram na pandemia e que virão pela frente”, comenta Matos, lembrando que profissões estão e vão nascer e demandarão mão de obra.

“São profissões que a gente ainda não conhece e, mais do que nunca, será preciso inovar e qualificar as pessoas”, realça.

Outra defesa feita pelo presidente da AGFE é a construção de pontes na própria sociedade local para “desenvolver processos, divulgar produtos, incubar empresas, vender, fazer co-working, qualificar os jovens e trabalhadores, gerar mais empregos”.

Ele comenta que a ideia é agregar, inclusive, com iniciativas já existentes, ancorados em órgãos e entidades como Senai, Sesi, Fatec, etc. 

“Estão surgindo meios de fazer o que a indústria e o comércio faziam, até aqui. São recursos virtuais, home office, e outras linhas que estão modificando os processos, desde o deslocamento das pessoas e produtos aos modelos de compra, venda e fornecimento. Essas inovações exigem capacitação e soluções diferenciadas”, avalia.

Em outras palavras, mostrar esses novos elementos que mudam a engenharia dos meios de produção e conhecimento e preparar as pessoas para utilizá-los serão funções exigidas tanto das empresas quanto das políticas públicas para o desenvolvimento. “Como integrantes da sociedade civil, damos a nossa contribuição, inclusive com sugestões ao poder público”. 

O Ação em Rede vai divulgar esses novos processos.

 Formação focada na realidade

A elaboração de cursos direcionados para a demanda atual e futura das empresas modela uma meta das empresas abrigadas na AGFE. Parcerias com instituições como a Universidade de Mogi das Cruzes estão no radar para facilitar o acesso do trabalhador a capacitações e formações exigidas pelo mercado.

A UMC integra a AGFE e o diretor  Luiz Carlos Leite afirma que a instituição está  empenhada na criação de uma agenda de formação técnica e universitária para atender as empresas da cidade.

“Mogi das Cruzes tem um conjunto de grandes empresas e oportunidades para atender melhor o morador na própria cidade. São boas indústrias que oferecem cargos de áreas administrativa e técnica que requerem a formação e atualização dos processos”, comentou. A inclusão desse trabalhador na roda de oportunidade une esse grupo.

Indagado sobre os prejuízos na formação básica, Leite admitiu o problema e destacou que a universidade busca, por meio de seus quadros de educadores, atender as falhas que deveriam ter sido sanadas nos ensinos anteriores, o Fundamental e o Médio. “É um problema maior, do País” resume.

 Formação

Parcerias com as instituições de ensino e de qualificação começam a ser firmadas e será o motor da AGFE Academy, que terá modelo de atuar atrelado à identificação de “clarões” na formação da mão de obra, identificados pelas empresas e as áreas de Recursos Humanos.