CASO

Câmara suspende salários de vereadores investigados; grupo faz enterro simbólico para a corrupção

PROTESTO Caixão preto improvisado com caixa de papelão foi levado à Câmara para ‘enterrar corrupção’. (Foto: Eisner Soares)

A Câmara de Mogi das Cruzes recebeu nesta quinta-feira comunicado do Tribunal de Justiça (TJ-SP) sobre o cumprimento dos mandados de prisão preventiva dos vereadores investigados pelo Ministério Público (MP) por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. O Legislativo, que vem sendo alvo de protestos e manifestações, suspendeu os salários dos envolvidos e exonerou os funcionários detidos. Também decidiu encaminhar requerimento à Prefeitura com pedidos de cópias dos contratos entre o Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae) e da Secretaria Municipal de Saúde citados pela Promotoria no processo.

Na última sexta-feira, o TJ já havia determinado o afastamento do vereador Francisco Moacir Bezerra de Melo Filho (PSB) de suas funções, em razão de prisão preventiva domiciliar. No comunicado não houve menção ao vereador Antonio Lino da Silva (PSD), outro averiguado no processo, que se encontra foragido. Estão presos desde a última sexta-feira: Mauro Luís Claudino de Araújo (MDB), Carlos Evaristo da Silva (PSB), Jean Carlos Soares Lopes (PL), Diego de Amorim Martins (MDB), os funcionários Willian Casanova e André Alvim de Matos Silva, além de dois empresários.

O presidente da Câmara, Sadao Sakai (PL), também vai encaminhar requerimento ao prefeito Marcus Melo, assinado por todos os vereadores, solicitando cópias, na íntegra, dos contratos, processos administrativos e editais relacionados com as investigações do Ministério Público, para que sejam tomadas as medidas necessárias.

A decisão de encaminhar um requerimento com os pedidos de informação foi tomada durante reunião que aconteceu ontem antes do início da sessão. O encontro foi solicitado pela oposição, que defendia a abertura de uma Comissão Especial de Investigação (CEI) para apurar e acompanhar o processo.

Mas os vereadores Iduigues Martins (PT), Rodrigo Valverde (PT) e Caio Cunha (PODE), defensores de uma comissão que pudesse dar mais legitimidade e poder para que o Legislativo fizesse essas investigações, foram vencidos pela maioria, que pretende analisar os contratos antes de adotar qualquer atitude.

Nas duas últimas sessões, a Câmara não votou projetos. Apenas uma moção da vereadora Fernanda Moreno (MDB) em reconhecimento ao trabalho da Associação Mata Ciliar, instituição em defesa da proteção ambiental. Foram aprovados também indicações e requerimentos com pedidos na área de zeladoria.

Protestos

Pelo segundo dia, houve manifestações em frente ao prédio da Câmara contra a corrupção. Ontem, o empresário Eugênio Paccelli, levou um caixão preto, que conseguiu improvisar com caixa de papelão e pintou de preto. “Queremos enterrar essa corrupção”, diz ele, que nas laterais escreveu “lixo tóxico”, que se pega contamina. Na terça-feira, os manifestantes lavaram as escadas do prédio para “limpar a sujeira”.


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