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ELEIÇÕES 2022

PSB cobra apoio do PT em seis estados em troca de apoio a Lula

Em conversa com Lula no último dia 5, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, disse que espera contar com o apoio do PT em PE,ES, RJ, AC, RS e SP.

Agência O GloboPublicado em 17/10/2021 às 12:15Atualizado há 1 mês
 Carlos Siqueira disse a Lula que espera apoio aos candidatos do PSB / Fernando Frazão - Agência Brasil
Carlos Siqueira disse a Lula que espera apoio aos candidatos do PSB / Fernando Frazão - Agência Brasil

O PSB está decidido a jogar duro com o PT para ceder o apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial. Como contrapartida, socialistas querem a adesão de petistas nas disputas estaduais até a nomes que fizeram críticas duras ao partido nos últimos anos.

Em conversa com Lula no último dia 5, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, disse que espera contar com o apoio do PT aos candidatos da legenda a governador nos estados de Pernambuco, Espírito Santo, Rio, Acre, Rio Grande do Sul e São Paulo.

— Podemos fazer uma aliança com o PT, mas isso precisa de reciprocidade — afirma Siqueira.

De acordo com um dirigente petista que participou da conversa, as adesões aos candidatos do PSB em Pernambuco, Rio e Espírito Santo devem ganhar o aval da cúpula partidária, mas em São Paulo e no Rio Grande do Sul há fortes resistências. No Acre, a questão deve ser decidida pelas lideranças locais.

Na eleição para o governo gaúcho, o PSB pretende lançar o ex-deputado federal Beto Albuquerque, que foi vice de Marina Silva na eleição presidencial de 2014. A partir daquela disputa, ele passou a atacar Lula e o PT. Até julho deste ano, Beto costumava publicar em suas redes sociais vídeos do pré-candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, alguns deles com ataques indiretos ao líder petista.

— A política não é a vida do passado, é a vida do presente. Hoje, a defesa da democracia é algo que supera quaisquer divergências já havidas — diz Beto.

Publicamente, lideranças do PT gaúcho apontam entraves, mas não fecham a porta para um acordo. Reservadamente, dizem que a aliança é improvável. Há desconfiança que Beto abriria palanque para Ciro no estado.

Na semana passada, o ex-deputado do PSB se reuniu com o deputado estadual Edegar Pretto, lançado pré-candidato pelo PT ao governo do Rio Grande do Sul.

— Em primeiro lugar, o PSB faz parte do governo do Eduardo Leite (PSDB). Nós somos oposição. Estamos trabalhando o nome do Edegar Pretto, que responde melhor ao perfil para unir a oposição no estado e para construir um palanque de apoio ao Lula — afirma o deputado Paulo Pimenta, presidente do PT gaúcho.

Outra possibilidade admitida pelo PT do Rio Grande do Sul é apoiar a ex-deputada Manuela d´Ávila (PCdoB) caso ela decida entrar na disputa.—  Apoiar o Lula não é nosso único caminho. Nós propusemos o caminho da reciprocidade, que pode nos juntar. Se isso não acontecer, o PSB tem outros caminhos também para viabilizar sua eleição nacional e eleger seus governadores — alerta Beto.

Em São Paulo, a direção nacional do PSB dá como certa a candidatura do ex-governador Márcio França, que tem mantido conversas para compor uma chapa com Geraldo Alckmin. De saída do PSDB, o ex-governador pretende concorrer pelo PSD ou pelo União Brasil, fruto da fusão do PSL com o DEM.

— Ele (Márcio França) é candidato. Isso foi dito com todas as letras (na reunião com Lula) — diz Siqueira.

Lideranças do PT paulista acreditam que França tenta criar um fator de pressão para se viabilizar como vice de Lula, hipótese que hoje não é considerada no entorno do ex-presidente. Dirigentes socialistas, reservadamente, admitem que uma das condições para o ex-governador retirar o seu nome da disputa paulista seria um convite para compor a chapa presidencial.

Se as negociações com o PT não evoluírem, França tem até articulado a possibilidade de se colocar como pré-candidato a presidente.

Por iniciativa de Lula, o PT tem trabalhado pela candidatura do ex-prefeito Fernando Haddad ao governo de São Paulo. Dirigentes da sigla estado dizem que não há hipótese de abrir mão de encabeçar a chapa.

— O PT precisa escolher o que quer: eleger o presidente ou o governador de São Paulo. Quem quer tudo corre o risco de ficar sem nada — afirma Siqueira.

Mesmo nos estados onde a cúpula referenda a aliança com o PSB, há empecilhos locais. No Rio, Washington Quaquá, vice-presidente nacional e influente na máquina partidária estadual, defende que o PT, no cenário atual, não feche aliança com nenhum candidato a governador. Nesse caso, Lula poderia se valer dos palanques tanto de Marcelo Freixo (PSB) como de Felipe Santa Cruz (que pode concorrer pelo PSD), Rodrigo Neves (PDT) e até do atual governador Cláudio Castro (PL).

No Espírito Santo, o PT tem postura crítica em relação ao governo de Renato Casagrande (PSB), que tentará a reeleição. O apoio é considerado, mas desde que o socialista aceite realmente fazer campanha ao lado de Lula. O governador capixaba vinha defendendo a necessidade do surgimento de uma candidatura que representasse a terceira via. Para ele, a polarização entre o petista e o presidente Jair Bolsonaro “empobrece a política” .

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