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Negociação de Bolsonaro com PL teve filiação desmarcada e chegou até à 'carta branca'

Presidente chegou a dizer que estava 99,9% fechado com o partido, mas cerimônia de filiação foi desmarcada após discordâncias; reunião da sigla deu sobrevida às conversas

Agência Brasil Publicado em 18/11/2021 às 18:04Atualizado há 11 dias
 Relembre as principais movimentações de Bolsonaro e as negociações com o PL / Divulação - Isac Nóbrega/PR
Relembre as principais movimentações de Bolsonaro e as negociações com o PL / Divulação - Isac Nóbrega/PR

Apesar de ter afirmado, na semana passada, que sua chance de ingressar no PL era de 99,9%, Bolsonaro viveu diversos momentos de incerteza desde sua saída do PSL, no fim de 2019. À procura de um partido para chamar de seu, tentou viabilizar uma nova sigla, o Aliança pelo Brasil, que, por falta de apoio, ficou pelo caminho. Ao se aproximar do Centrão, foi bem recebido e acabou optando pela proposta de Valdemar Costa Neto, mas recuou do “casamento” antes mesmo de subir no altar. Nesta quarta-feira, porém, o presidente do PL ganhou “carta branca” para negociar com Bolsonaro e devolveu o anel de noivado ao dedo do mandatário. Relembre as principais movimentações de Bolsonaro e as negociações com o PL:

Desde novembro de 2019, quando saiu do PSL, o presidente Jair Bolsonaro busca uma sigla para viabilizar sua campanha à reeleição. Com planos de controlar candidaturas e presidentes de diretórios estaduais, seu sonho era viabilizar o próprio partido, que chegou a ser batizado de Aliança pelo Brasil. Sem o número mínimo de assinaturas para sair do papel, porém, o desejo ficou pelo caminho. A opção, então, foi por entrar em um partido menor, onde ele pudesse exercer seu poder. O escolhido foi o Patriota, que recebeu o senador Flávio Bolsonaro (RJ) para organizar a entrada do pai. Com o afastamento do presidente da sigla, porém, veio uma nova frustração para Bolsonaro.

Ainda em julho deste ano, por intermédio do senador Ciro Nogueira, presidente do PP e atual ministro da Casa Civil, Bolsonaro começou a intensificar suas relações com o Centrão. O Progressistas foi um dos primeiros flertes, assim como o Republicanos, sempre com o cacique Valdemar Costa Neto, presidente do PL, à sombra de Bolsonaro nas negociações.

Depois de conversas com os três partidos, pesou o poder de Costa Neto e Bolsonaro optou pela candidatura no PL. Ainda na semana passada, quando contou que as negociações estavam avançadas, o presidente chegou a afirmar que sua chance de ingressar no partido era de 99,9%. Apesar de admitir que ainda havia pontos a serem acertados, como candidaturas da sigla em São Paulo, a cerimônia de filiação chegou a ser marcada para o dia 22 de novembro. 

Já no último domingo, no entanto, o cenário mudou. Em nota, o PL afirmou que o evento de filiação do presidente Jair Bolsonaro havia sido cancelado. O texto dizia que a decisão foi tomada "de comum acordo" entre Bolsonaro e o presidente da legenda, "após uma intensa troca de mensagens na madrugada". Bolsonaro, que está em viagem a Dubai, chegou a dizer que havia ainda "muita coisa a conversar". Como uma das principais razões para o atrito, estavam as alianças estaduais do PL. 

Segundo levantamento feito pelo Globo, o partido integra a base de 15 governadores, dos quais sete devem reforçar o palanque de adversários de Bolsonaro em 2022. As discordâncias, inclusive, também vinham de dentro do partido. Filiados dos estados do Sul e do Centro-Oeste defendiam a guinada bolsonarista do PL, enquanto boa parte dos diretórios do Nordeste e do Norte tentavam surfar no desentendimento entre Costa Neto e Bolsonaro para desfazer o acordo.

O clima foi amenizado somente nesta quarta-feira, após reunião na sede do PL, em Brasília. Os dirigentes do partido anunciaram que Valdemar Costa Neto terá "carta branca" para negociar a filiação do presidente Jair Bolsonaro, que ganhou sobrevida. No entanto, ainda assim, deputados ligados à esquerda pediram alguma garantia de que Costa Neto não irá destituir os diretórios que discordarem da Executiva Nacional. Além disso, como contrapartida, o partido pode incluir em seu estatuto uma previsão de que dirigentes estaduais têm autonomia para decidir suas candidaturas e quem irão apoiar nas eleições.

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