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ESTÉTICA PERIGOSA

Família de morta por complicações em implante de silicone soube de cirurgia após parada cardíaca

Natacha Lopes, de 28 anos, teve morte cerebral confirmada nesta quarta-feira, 11 dias após ser submetida a procedimento estético; polícia apura o caso.

Agência O Globo
10/03/2022 às 09:36.
Atualizado em 10/03/2022 às 09:37

Natacha sofreu uma parada cardíaca pouco depois do término da cirurgia, realizada na Santa Casa de Piracicaia (Reprodução - Facebook)

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ESTÉTICA PERIGOSA

Família de morta por complicações em implante de silicone soube de cirurgia após parada cardíaca

Natacha Lopes, de 28 anos, teve morte cerebral confirmada nesta quarta-feira, 11 dias após ser submetida a procedimento estético; polícia apura o caso.

Agência O Globo
10/03/2022 às 09:36.
Atualizado em 10/03/2022 às 09:37

Natacha sofreu uma parada cardíaca pouco depois do término da cirurgia, realizada na Santa Casa de Piracicaia (Reprodução - Facebook)

Familiares da corretora de imóveis Natacha Lopes, de 28 anos, que morreu por complicações decorrentes de um implante de silicone no interior de São Paulo, souberam do procedimento estético somente após a paciente apresentar reações. A mulher sofreu uma parada cardíaca pouco depois do término da cirurgia, realizada na Santa Casa de Piracicaia pelo cirurgião Pietro Petri.

Natacha teve a morte cerebral confirmada nesta quarta-feira, 11 dias após ser submetida ao procedimento. Ela deu entrada na unidade de saúde no último dia 27. A cirurgia durou cerca de 35 minutos. Segundo o médico responsável, a corretora recebeu anestesia local e havia quatro pessoas no centro cirúrgico durante a operação.

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A Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar o caso após a família da vítima registrar nesta terça-feira um boletim de ocorrência por lesão corporal de natureza gravíssima. Com a morte da paciente, o advogado Carlos Henrique Cabral vai pedir a troca da tipificação para homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Parentes de Natacha apontam que houve negligência médica.

O advogado alega que ela foi deixada sozinha no local, onde teria sofrido uma parada cardíaca. O cirurgião, no entanto, afirma que a paciente foi levada para o quarto sem seu aval. Lá, ela teria desencadeado uma hipóxia, ausência de oxigênio suficiente nos tecidos para manter as funções corporais. Não havia acompanhante na ocasião.

— A Natacha ficou sozinha no centro cirúrgico. Em tese, o anestésico teria ocasionado uma parada pulmonar, e ela teria se afogado no seco. E estava acordada. Isso é cruel. Imagina o desespero da pessoa. Depois, ainda teve uma parada cardíaca — disse Cabral.

Ao Globo, o cirurgião negou as acusações. De acordo com Petri, o procedimento, que começou às 8h15 e terminou por volta das 8h50, ocorreu sem intercorrências, acompanhado do início ao fim por quatro funcionários da unidade. Ao término, Natacha teria conversado com eles e assinado documentos. Pouco depois, segundo o médico, ela foi encaminhada para uma sala de recuperação pós-cirúrgica.

— Quando acabou a cirurgia, o anestesista fechou a sedação, ela acordou e conversou com todo mundo. Tomou água, fizeram o curativo, e ela ficou sentada. Então, tiraram do centro cirúrgico e colocaram na recuperação pós-cirúrgica. O anestesista falou para levarem para o quarto em uns 45 minutos, que eu voltaria para dar alta daqui a umas 2 horas. Ali, da minha parte estava tudo bem — disse Petri.

O médico relata que foi até sua casa buscar um carimbo para poder prescrever uma receita. Nesse intervalo, cerca de 15 minutos depois, recebeu um telefonema para que corresse ao hospital, uma vez que a paciente sofrera uma parada cardíaca. De acordo com Petri, Natacha foi intubada por uma outra médica. O procedimento de ressuscitação deu certo. Ela foi intubada e transferida para o Hospital Universitário, onde seu estado de saúde foi se deteriorando.

— A primeira coisa que veio na cabeça é que teve um trombo, que é comum em qualquer tipo de cirurgia. Não deu trombo nenhum, nenhum problema cirúrgico, de perfuração do peito, ou sangue. Deu uma grande alteração no cérebro por falta de oxigênio — afirmou.  — Uma enfermeira levou para o quarto. Ninguém deu ordem. Não posso dar alta Houve uma série de erros. A gente paga o hospital, e ele cuida de tudo.

O advogado da família rebateu a versão apresentada pelo médico. Segundo ele, ao alugar o espaço para a cirurgia, o cirurgião tinha responsabilidade de supervisionar a paciente.

— A responsabilidade seria da enfermagem se a Natacha fosse admitida pelo próprio hospital, mas não. Ele alugou uma sala lá.

Cabral pedirá ao Conselho Regional de Medicina (CRM) que o registro do profissional seja cancelado provisoriamente. Nesta terça-feira, a família registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal de natureza gravíssima na Delegacia de Piracaia, onde foi aberto um inquérito. O advogado vai pedir a modificação da tipificação para homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Petri já foi alvo de denúncias de pacientes que o acusaram de deixar sequelas após cirurgias no Paraná e em São Paulo. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) disse que ele não possui título com especialização. O médico afirma que não é membro da SBCP, mas tem certificado dado pela entidade de que concluiu curso em três anos, iniciado na Itália. Ele alega que se recusou a fazer uma prova na volta ao Brasil, embora tenha o título com chancela da entidade.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o caso é investigado por meio de inquérito policial instaurado pela Delegacia de Piracaia. Em nota, a pasta disse que testemunhas estão sendo ouvidas e que a autoridade policial solicitou à Justiça a quebra do sigilo telefônico da vítima. Imagens e documentos do procedimento também foram solicitados ao hospital para auxiliar no esclarecimento dos fatos.

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