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TRÁFICO

Fóssil de aranha que homenageia Pablo Vittar retorna para Brasil

Cretapalpus vittari é oriundo da Chapada do Araripe, no Ceará, e saiu do país de forma ilegal; a Universidade do Kansas também devolveu outros 35 exemplares

Agência O Globo Publicado em 17/10/2021 às 15:47Atualizado há 1 mês

O fóssil de uma aranha que havia saído ilegalmente do Brasil para os Estados Unidos foi devolvido ao país nesta sexta-feira. Batizado de Cretapalpus vittari, o exemplar homenageia a cantora brasileira Pabllo Vittar e estava na Universidade do Kansas (EUA).

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A aranha fossilizada é oriunda da Chapada do Araripe, no Ceará. Trata-se do mais velho exemplar da família Palpimanidae registrado na América do Sul. O fóssil é da Era Mesozóica (entre 250 a 65 milhões de anos atrás) e chama a atenção pelo bom estado de preservação.

O exemplar da Cretapalpus vittari já está incorporado ao acervo do Museu Paleontológico Plácido Cidade Nuvens, que pertence à Universidade Regional do Cariri (Urca).

Além da Cretapalpus vittari, a instituição americana devolveu outros 35 fósseis de aranha da região do Cariri. O paleontólogo Renan Bantim, professor temporário da Urca e curador do museu da universidade, confirmou a devolução dos exemplares nas redes sociais.  

"Hoje, um muito especial #fossilfriday com Cretapalpus vittari, um belo espécime de aranha Palpimanidae. Obrigado Matthew R. Downen por descrever esta pequena espécie e colaborar com a devolução deste fóssil ao Brasil", escreveu Bantim.

Downen é o cientista responsável pela descrição do fóssil da aranha Cretapalpus vittari, ao lado do britânico Paul A. Selden. De acordo com o Diário do Nordeste, após a repercussão negativa da saída ilegal do país, Downen se comprometeu a facilitar a devolução do exemplar.

'Gritos de dor':  Massacre na mesma fazenda de Rondônia onde ocorreu chacina completa seis anos; adolescente foi queimado vivo. E para surpresa da instituição brasileira, além do fóssil que homenageia Pablo Vittar, vieram outras 35 aranhas fossilizadas dos Estados Unidos.

- Pedimos o fóssil Cretapalpus vittari, mas acabamos recebendo mais peças que até então não tínhamos conhecimento que estavam lá. Acreditamos que a Universidade do Kansas, ao analisar o pedido, viu que tinha mais peças na mesma situação e, de forma correta, fez a devolução de todas - afirmou o diretor do museu, Allysson Pontes Pinheiro, ao jornal cearense.

Pinheiro acrescentou que ainda se sabe de que forma esses fósseis foram retirados do país. E há a possibilidade deles terem sido levados em diferentes momentos. A comercialização de fósseis é crime no Brasil, com pena que varia de um a cinco anos de prisão.

O Ministério Público Federal (MPF) no Ceará instaurou um inquérito para investigar se o fóssil da aranha Cretapalpus vittari foi traficado do Brasil para os Estados Unidos. Para verificar a hipótese de tráfico, a procuradoria solicitou informações da Agência Nacional de Mineração (ANM).

A pesquisa, realizada pela Universidade do Kansas, afirma que a "doação" do fóssil teria sido feita pelo Centro de Pesquisas Paleontológicas da Chapada do Araripe (CPCA) e pela ANM.

Um outro fóssil descoberto no Brasil foi alvo de ações para devolução ao país. O dinossauro fossilizado batizado de Ubirajara jubatus, também encontrado no Ceará, está retido no Museu de História Natural de Karlsruhe (SMNK), na Alemanha. Segundo a Sociedade Brasileira de Paleontologia (SBP), o material foi levado ilegalmente ao país europeu.

Uma campanha nas redes sociais pediu para que o Ubirajara jubatus retornasse ao Brasil. No entanto, o museu onde o espécime se encontra afirmou que ele é propriedade do estado alemão de Baden Württemberg.

Em documento enviado ao GLOBO, o museu afirmou que o dinossauro terópode brasileiro Ubirajara "foi comprovadamente adquirido legalmente antes de 26 de abril de 2007", que seria data chave para a aplicação da Lei de Proteção de Bens Culturais do país.

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