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ELEIÇÕES 2022

Ciro acusa Lula de conspirar pelo impeachment de Dilma

Dilma reage com irritação, sai em defesa de seu companheiro de partido e diz que o cearense “mente de maneira descarada, há muito tempo”

Agência EstadoPublicado em 13/10/2021 às 16:49Atualizado há 4 dias
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Após afirmar, em entrevista, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria participado de uma conspiração pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016, o presidenciável Ciro Gomes (PDT-CE) foi duramente criticado pela ex-presidente nas redes sociais. A petista disse que o político do Ceará "mente de maneira descarada" e insinuou que ele usa suas objeções ao Partido dos Trabalhadores como tática para ganhar popularidade.

"O problema, para ele, é que usa este método há muito tempo e continua há quase uma década com apenas 1 dígito nas pesquisas", escreveu Dilma. Em resposta, o pedetista chamou a ex-presidente de "incompetente, inapetente e presunçosa" e disse que errou ao ser contra seu impeachment.

Em entrevista, Ciro lembrou que nomes com os quais Lula ensaia uma reaproximação política hoje, como os emedebistas Renan Calheiros e Eunício Oliveira, patrocinaram a deposição de Dilma, tratada pelo PT como golpe.

"Eu atuei contra o impeachment e quem fez o golpe foi o Senado Federal. Quem presidiu o Senado? Renan Calheiros. Quem liderou o MDB nessa investida? O Eunício Oliveira. Com quem o Lula está hoje?", contextualizou. "Hoje eu estou seguro que o Lula conspirou pelo impeachment da Dilma, estou seguro", declarou.

O ex-governador do Ceará disse ainda que chegou a escrever, a pedido de Dilma, um documento com cerca de 15 páginas, e o entregou a um "camarada" do petista, que, por sua vez, "jogou fora e não aplicou nada".

Ciro salientou que não entendia as movimentações do partido durante as negociações para barrar o impeachment e lembrou que seu irmão, o senador Cid Gomes (PDT-CE), chegou a questionar se de fato aqueles que se diziam aliados de Dilma queriam impedir sua deposição do cargo.

"O meu irmão, que também estava lutando [contra o impeachment], me chamou e falou assim: 'Será que esses caras querem impedir o impeachment?'. Agora estou seguro que eles estavam colaborando pelo impeachment da Dilma, porque nas eleições de 2018 o Lula estava com o Renan Calheiros e queria que eu me envolvesse nisso, eu que fui para as ruas, e era muito impopular defender a Dilma. Agora os amigos do peito são eles? Nunca mais", completou.

Em resposta, Dilma endureceu o tom contra o presidenciável no Twitter e disse que sua declaração seria parte de uma estratégia para driblar a sua falta de voto nas urnas. "Ciro Gomes está tentando de todas as formas reagir à sua baixa aprovação popular Mais uma vez, mente de maneira descarada, mergulhando no fundo do poço", disse a ex-presidente.

Ciro respondeu no Twitter a publicação de Dilma e disse nunca ter mentido na vida. "Mas errei algumas vezes", completou. "Uma delas quando lutei contra o impeachment de uma das pessoas mais incompetentes, inapetentes e presunçosas que já passaram pela presidência. Claro que estou falando de você, Dilma."

"Para alívio de consciência, na época do impeachment eu não estava defendendo seu mandato em si mesmo, mas a integridade do cargo que você toscamente ocupava. Se hoje você prefere estar ao lado dos que a traíram, obrigado por me poupar da sua incômoda companhia", atacou o pedetista.

"No fundo, vocês dois se merecem. Mas o Brasil merece pessoas melhores que vocês. Guarde suas ofensas e diatribes para quem possa ter medo de você", arrematou Ciro.

O pedetista tem adotado uma posição crítica à candidatura de Lula para as eleições presidenciais de 2022. Na última manifestação contrária ao governo Bolsonaro, realizada em 2 de outubro, Ciro Gomes foi xingado e vaiado por grupos associados ao PT.

No dia seguinte, Ciro chegou a propor uma "amplíssima trégua de Natal" com os petistas, mas, depois de uma semana, voltou a criticar o ex-presidente Lula em publicação no Twitter.

Ciro voltou a falar da trégua e afirmou que ela se refere apenas a temas relacionados ao impeachment de Bolsonaro. "Se a gente não fizer o Bolsonaro ficar na defensiva e ser punido pelos crimes trágicos que tem cometido contra a população brasileira, o Bolsonaro vai tentar de novo e, desta vez, pode ser a última e desesperada tentativa, que pode produzir o que ele imaginou que poderia ter produzido no 7 de setembro".

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