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Funil eleitoral

‘Boom’ de pré-candidatos precipita início de corrida por espaço entre Lula e Bolsonaro

Partidos que buscam lançar o candidato que representará a terceira via na corrida à Presidência já se movimentam no tabuleiro político

Agência O GloboPublicado em 29/11/2021 às 15:01Atualizado há 2 meses
Divulgação
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Partidos que buscam uma alternativa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao presidente Jair Bolsonaro na disputa eleitoral de 2022 têm movimentado as suas principais peças para ocupar um espaço estreito no tabuleiro político. Nos últimos dias, o lançamento do ex-ministro da Justiça Sergio Moro pelo Podemos e a reta final das prévias do PSDB, que escolheu o governador de São Paulo, João Doria, ajudaram a precipitar ações de outros partidos. Na última semana, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), e a senadora Simone Tebet (MDB) foram anunciados como potenciais candidatos da terceira via, juntando-se a outros recentemente lançados.

Partidos e candidatos trabalham com a ideia de que, até meados do ano que vem, o desempenho nas pesquisas será decisivo para a manutenção de alguns nomes e a atração de apoios. Em alguns casos, as pré-candidaturas se mostrarão uma forma de o político e o partido garantirem espaço e se cacifarem para negociar a desistência em melhores condições.

Para se movimentar com mais desenvoltura em Brasília, Moro tem utilizado o apartamento funcional da presidente do Podemos, Renata Abreu, para participar de almoços, jantares e cafés. O objetivo desses encontros é diminuir a resistência da classe política ao nome do ex-juiz da Operação Lava-Jato, que atingiu diferentes partidos.

— Como são conversas de aproximação, precisa ter um ambiente mais restrito, mais intimista — disse ao GLOBO a presidente do Podemos, que tem ciceroneado Moro nas rodas políticas.

A residência já recebeu políticos de diversas legendas como os presidentes do Patriota, Ovasco Resende, e o do PROS, Eurípedes Júnior. Também passaram pelo apartamento parlamentares do Cidadania.

Em outro movimento coordenado, a bancada do Podemos tem mirado o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco. Na terça-feira passada, integrantes do partido levaram Moro ao Senado para reforçar a posição da legenda contra a PEC dos Precatórios, cuja aprovação conta com o apoio de Pacheco. Ao Globo, o senador Alvaro Dias (Podemos-PR) descartou uma aliança com o PSD e criticou a pré-candidatura do presidente do Congresso:

— Será difícil Rodrigo manter posição de imparcialidade no Senado como candidato. Para a instituição, isso é ruim.

A movimentação política de Pacheco também gerou críticas na cúpula dos Poderes. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), por exemplo, não esconde sua insatisfação e disse a pessoas próximas que a pré-candidatura do senador mineiro pode contaminar a tramitação de projetos importantes. Já Bolsonaro costuma dizer a ministros do governo que Pacheco tem adotado uma agenda própria no Congresso para ganhar visibilidade.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, considera naturais as críticas a Pacheco.

— Não entramos em campanha ainda, mas o Pacheco deu um passo bastante sólido essa semana (passada) admitindo a candidatura, então vejo como natural que aqueles que serão adversários queiram expor críticas e divergências — afirmou Kassab.

O dirigente insiste que o PSD terá candidatura própria. Durante evento da legenda na semana passada, o presidente do Senado evitou afirmar categoricamente que pretende entrar na disputa eleitoral. Apesar disso, fez discurso com planos para o país e críticas ao governo.

— Para um mineiro falar o que Pacheco falou, significa que ele é candidatíssimo — disse Kassab.

O mandachuva do PSD aposta na baixa rejeição a Pacheco para catapultar a sua candidatura e no fato de o senador ter ampla aceitação em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, atrás apenas de São Paulo.

Já Ciro Gomes (PDT), que focava na estratégia de polarizar com Lula, agora terá uma nova fase, segundo o colunista do GLOBO Lauro Jardim: mirar em Sergio Moro. Para o presidente do PDT, Carlos Lupi, a fragmentação do campo da direita e da centro-direita pode dar fôlego à candidatura de Ciro. Hoje, as pesquisas mostram um caminho difícil para o pedetista chegar ao segundo turno, com os levantamentos indicando intenção de voto entre 7% e 10%.

Correndo por fora e de olho numa valorização no cenário eleitoral para negociar alianças, o MDB anunciou o lançamento em dezembro da pré-candidatura da senadora Simone Tebet, que ganhou visibilidade durante a CPI da Covid. O nome da parlamentar ainda precisa ser formalizado, mas já é visto com desconfiança, sobretudo após a participação tímida do partido nas eleições de 2018 com a candidatura do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles.

Largando atrás, o PSDB se viu envolvido numa novela após o sistema de votação das prévias por aplicativo falhar. O erro adiou numa semana o lançamento do pré-candidato da legenda que brigará para liderar a terceira via. Doria terá o desafio de unir a sigla, aglutinar outras forças e convencer os demais representantes do centro de que é o mais habilidoso para romper a polarização Lula-Bolsonaro.

Diante dessa corrida de potenciais candidatos, o União Brasil, partido resultante da junção entre DEM e PSL, está dividido entre Bolsonaro e Moro. Sem um nome definido para lançar candidatura própria, o presidente da nova sigla, Luciano Bivar, evita especulações neste momento.

— O União Brasil, como todos os outros, está buscando uma alternativa. Mas, no fundo, a última palavra vai ser o inconsciente coletivo do Brasil que decidirá — diz Bivar.

Capital político

Essas movimentações levaram Bolsonaro a antecipar o seu destino partidário, aderindo ao PL. O presidente pretendia escolher a sigla só no início de 2022. O plano é formar uma aliança entre PL, PP e Republicanos e usar a estrutura das legendas e o tempo de TV para impedir o crescimento de um candidato da terceira via.

Para o cientista político Rafael Cortez, da consultoria Tendências, é improvável que todos os candidatos que agora se apresentam tenham condições de se “nacionalizar” a tempo das eleições:

— Não é trivial construir capital político nacional. São poucos os que conseguem. Então, a antecipação das candidaturas é importante para que possam se viabilizar. É muito trabalhoso construir esse capital político, requer tempo.

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