URBANISMO

Arquiteto sugere abertura 24 horas do Mercado Municipal de Mogi

URBANISMO Projeto prevê ainda cobertura de trecho da rua Presidente Rodrigues Alves para estimular a vida noturna. (Fotos: divulgação)

Enquanto se espera pelas obras de revitalização do Mercado Municipal, que ganhará novos elementos, como um mezanino, uma sugestão lançada pelo professor e arquiteto Paulo Sérgio Pinhal ganhou repercussão em redes sociais. Entre elas, a cobertura do trecho lateral da rua Presidente Rodrigues Alves, entre a Coronel Souza Franco e a Flaviano de Melo e o funcionamento 24 horas do mais tradicional ponto de compras e de encontro da cidade.

Fazendo jus a uma conhecida tirada sobre o espírito de criação dos arquitetos, Pinhal admite que a proposta de o Mercadão virar a noite aberto pode encontrar resistência e seguir o mesmo caminho de outros estabelecimentos, como supermercados, que começaram a manter as portas abertas ininterruptamente, mas tiveram de voltar atrás.

“Arquiteto existe para propor, propõe de tudo, mas a sociedade ou o poder público podem aceitar e buscar meios de concretizar um projeto”, diz, defendendo, no entanto, a necessidade de se fazer alguma coisa para dar vida ao centro à noite.

IDEIAS Paulo Pinhal tem sido o autor de vários planos para Mogi das Cruzes. (Foto: divulgação)

Um dos desafios lançados e que reverberou em discussões virtuais foi o de encontrar quem tope passear pelas ruas centrais, depois das 18 horas. “Se gosta da aventura e adrenalina é um prato cheio”, provoca.

A movimentação de pessoas e veículos cessa com o fechamento dos estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços. “Parabéns para quem pode frequentar o shopping ou outro centro comercial”, comenta ele. A sensação de segurança é o que sustenta o funcionamento à noite de centros de compras ou de polos de restaurantes, lanchonetes e pizzarias em pontos como o Parque Monte Líbano.

Ao propor a ampliação do horário de funcionamento do Mercadão – ou, ao menos, até 22 horas, Pinhal relembra do movimento Viva o Centro, lançado algum tempo atrás e que se perdeu pelo caminho de interesses do momento.

“Na verdade, o centro precisa de ações que incentivem o comércio a ficar até mais tarde, e as pessoas a frequentá-lo”, repete Pinhal. A proposta se inspira, aliás, ao que já se viu em outras cidades, como Curitiba, que ficou na administração do ex-prefeito Jaime Lerner, com a rua 24 horas.

Para isso dar certo, pondera o professor, seria importante incrementar o mix de serviços, como chaveiros, costureiras, sapateiros e outros, além do próprio cartel de comércios. “Há muitos boxes fechados, que estão servindo, mesmo, é para o depósito de materiais”, afirma. O cenário hoje é afetado pela pandemia, “mas, o aproveitamento integral dos boxes poderia atrair mais frequentadores”, acrescenta. Outra baixa, na opinião do arquiteto, é a falta de produtos peculiares da cidade. “Se você precisar de algum presente que lembre Mogi, uma lembrancinha, você não encontra”.

Atração

Outras ideias são o desenvolvimento de feiras e eventos esportivos, em determinados dias da semana. Tudo para criar o hábito de frequentar a região central. “Corridas, passeios ciclísticos e caminhadas contribuiriam para que a população ganhasse novamente o espaço e iria aquecer o comércio no entorno”.

Sem movimento de pessoas e carros, a insegurança é o grande problema. Um argumento para o desenvolvimento dessas alternativas é a boa resposta que as feiras noturnas, da rua Braz Cubas e do Mercado do Produtor Minor Harada, no Mogilar, recebem da população mogiana (isso, antes do período atual de pandemia).

Rua coberta

Um projeto em vias de ser executado pela Secretaria Municipal de Agricultura prevê o incremento do pool de atrações do Mercadão com a construção de uma praça de alimentação. Até aqui, intervenções pontuais têm melhorado as instalações, mas nada que tenha mudado, de fato, a vocação atual.

De olho no impulso que será dado ao centro de compras, Pinhal sugere a cobertura da rua lateral.

Com a instalação de bancos, e o fim do estacionamento, que hoje suscita polêmica, o arquiteto acredita que atividades diferenciadas, à noite, tratariam de atrair negócios voltados para o lazer e gastronomia na região central.

Para tudo isso, no entanto, ele adverte que problemas relatados por consumidores precisam ser atacados. Um dos mais antigos é o mau cheiro em determinados pontos do interior do prédio e também do lado de fora.

Futuro

Pinhal já apresentou outras ideias que acabaram sendo adotadas pela Prefeitura, como o uso do prédio da antiga Telefônica, para a instalação do Centro Cultural, na Praça Monsenhor Roque Pinto de Barros. Por agora, a sugestão para o Mercado Municipal foi publicada apenas nas redes sociais.

Ao contrário do que aconteceu com o projeto para a criação de uma rota para bicicletas ao lado da linha ferroviária, com o uso de uma parte da faixa da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e que tem sido defendida por coletivos de ciclistas, uma iniciativa que conta com a participação de Pinhal.

“São projetos que podem parecer absurdos, mas apresentam soluções para dramas que as cidades vivem”, assinala. “Quem pode tirar do papel é o poder público”, insere.

A desqualificação do centro, após o fim do expediente bancário e comercial, afeta da vida das pessoas que ainda residem nesse perímetro, principalmente por conta da insegurança imposta pelas ruas desertas.


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