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AnaMarB se rende ao mundo virtual em meio à pandemia

ATUAL Em vez de parar de produzir durante a pandemia, AnaMarB passou a expor porcelanas, telas e outros itens pelas redes sociais e pelo app Vetrina. (Foto: Eisner Soares)
ATUAL Em vez de parar de produzir durante a pandemia, AnaMarB passou a expor porcelanas, telas e outros itens pelas redes sociais e pelo app Vetrina. (Foto: Eisner Soares)

Ao final de cada ano a artista plástica Ana Maria Barbosa, a AnaMarB, faz o planejamento do que pretende realizar no ciclo seguinte, artística e profissionalmente falando. Como se estivesse prevendo a pausa imposta pela pandemia do novo coronavírus, para 2020 ela projetou menos exposições, dando espaço ao aprendizado de novos conhecimentos e técnicas. O que ela não imaginava é que a proximidade com a tecnologia seria uma dessas técnicas.

Em 48 anos de carreira, Ana MarB produziu 773 exposições. Se fosse realizar uma por dia, seriam mais de dois anos de atividades ininterruptas. E se não fosse o cansaço físico, ela continuaria nesse ritmo por muito tempo. “Quando eu era novinha tinha forças para carregar peso, mas agora, aos 72, meu físico está gritando”, diz.

A cabeça, porém, continua com a mesma energia de “quando tinha 30, 35 anos”. Está aí o segredo para a “revolução digital” que a artista promoveu ao longo dos últimos meses, quando decidiu entrar de cabeça no mundo tecnológico.

“No começo do ano eu imaginava que tinha que fazer curso pra saber mexer, pra colocar coisas online”, lembra ela. Mas não foi preciso. “Comecei a assistir muitas lives, cerca de quatro por dia, de artes, de conhecimentos gerais, todas as da Secretaria Municipal de Cultura..”.

Enquanto assistia as primeiras transmissões de vídeo, crescia a vontade de participar mais ativamente deste movimento. Resultado: enquanto muitos artistas novatos ainda não expõem suas criações na internet, AnaMarB está lá, tem presença online.

É claro que ela foi comedida: produziu dois quadros com o motivo da Festa do Divino de Mogi das Cruzes, como faz anualmente. A diferença é que não havia um local físico para expor as obras, então foi preciso divulgar o trabalho nas redes sociais. As linhas do tempo e os stories do Facebook, Instagram e WhatsApp a alçaram a um “público novo, que não ia na Festa”.

Com as duas peças vendidas, AnaMarB se permitiu avançar mais um pouco. Convidada a participar do aplicativo Vetrina, criado pelo Polo Digital de Mogi das Cruzes, decidiu aceitar. Trata-se de uma “plataforma que ajuda gratuitamente empreendedores a otimizar a comercialização de produtos e serviços via WhatsApp”.

Em outras palavras, em app.vetrina.com.br é possível ter um gostinho da sensação de visitar o ateliê dela, localizado na Vila Lavínia e há meses sem receber convidados, dadas as regras de isolamento social. Porcelanas pintadas com motivos florais e angelicais, telas com belas paisagens, bijuterias e outros itens podem ser vistos por lá.

“Com tanto tempo de exposições, não quero mais fazer isso, ficar provando que sei fazer”, afirma ela, sobre a abertura a novas possibilidades e desafios profissionais. Enquanto segue aprendendo funcionalidades digitais diariamente, ela também segue produzindo.

“Segui fazendo o projeto Mogi Antiga Rumo ao Futuro’, que consiste em peças feitas a partir de muita pesquisa sobre os cenários da cidade. Também cheguei a vender um quadro para uma moça de Natal, pelo correio. Estou me reinventando em todos os sentidos”, diz ela, orgulhosa.

Longe de dizer que a pandemia é algo bom, AnaMarB conclui que “revolução digital” era exatamente o que ela queria e precisava, mas não era o que imaginava. “Aprendi a fazer tudo na raça”, finaliza, “e participei de lives até da Flórida”.

Aprendizados e revisões internas

Além de novos aprendizados, 2020 foi um ano de revisões internas para AnaMarB. Alguns exemplos disso são seu afastamento da presidência da Associação Cultural do Povo Búlgaro e Gagaúzos Bessarabianos do Brasil e também a organização de décadas de “papelada” particular.

Um dos documentos “resgatados” nesse período foi um manual de parâmetros de um edital do Rio de Janeiro, de 1982, quando havia um esforço para que a porcelana fosse reconhecida como uma arte maior do que apenas artesanato.

Outra atividade possibilitada pela pausa do isolamento social foi o resgate de alguns contatos do passado. “Faço parte de um grupo de inovação na porcelana e fui rever minhas amigas, cada dia telefonando para uma”, conta a artista plástica.

Difícil mesmo foi o próprio aniversário, no dia 30 de julho. Em muitos anos, foi a primeira vez que ela não fez uma festa com a presença de amigos e vizinhos. “Minhas filhas e netas fizeram um almoço para mim, tudo muito chique, e também fizemos uma reunião a noite. Foi ótimo, mas nunca achei que passaria desse jeito”.


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