EDITORIAL

A volta às aulas

A realização dos testes rápidos que serão aplicados nesta semana em 15% dos alunos rede municipal de ensino é ponto de partida para se tratar da reabertura das escolas em Mogi das Cruzes. O Governo do Estado também prepara um inquérito sorológico sobre a circulação do novo coronavírus entre os estudantes do ensino público.

Conhecer o nível de contágio do SARS-CoV-2, que transmite a Covid-19, servirá para embasar as decisões sobre como as escolas vão funcionar.

Retomar as aulas ainda neste ano, ou em 2021, será tarefa complexa, independente da data. Porém, é dever do estado e da sociedade assumir essa responsabilidade e começar a trabalhar para isso. Quanto mais tempo sem aula, mais o futuro das novas gerações será afetado negativamente.

A segurança dos alunos e de seus familiares é algo inegociável.

Ter uma base sólida de dados poderá auxiliar na elaboração e na execução dos protocolos de prevenção.

Nos melhores cenários, quando a vacina for descoberta, a imunização de massa não será imediata. Os riscos da Covid-19 serão, preservadas as diferenças, semelhantes aos de outras doenças contagiosas, como os da gripe H1N1 ou meningite. Professor, aluno e pai terão de se adaptar a uma ameaça que a abertura dos comércios, shoppings e empresas também representa.

Os resultados rápidos, que serão entregues aos pais ou responsáveis, é outro aspecto interessante. Estabelecerão parâmetros sobre como realmente a população jovem local reagiu ao vírus, desde março passado.

Em São Paulo, inventário semelhante mostrou que 64,4% dos estudantes testados desenvolveram anticorpos e eram assintomáticos. Lá, 25% das crianças e jovens em idade escolar residem com idosos.

Nos países da Europa e da Ásia que começaram a reabrir as escolas bem mais cedo do que o Brasil, os gestores tiveram que agir muito depressa para conter as ondas de surtos, criando e modificando regras de convivência e distanciamento social.

Já saber dessas experiências será de valia para o Brasil. Apesar do poder de decisão sobre as políticas de saúde ser do estado, em suas três esferas, a comunidade estudantil terá papel definitivo para reagir ao que não está dando certo. Regras estabelecidas terão de ser cumpridas.

É completamente seguro reabrir as escolas? Não é. Contudo, a informação didática e rápida sobre os riscos e os recursos que serão ofertados, diante de uma infecção, e clareza e transparência sobre tudo o que tem sido preparado, como a testagem rápida a 5,9 mil estudantes, darão, sobretudo aos pais, melhores condições de cuidar dos filhos e da comunidade.


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