EDITORIAL

A limpeza do rio

O rio Tietê será desassoreado com recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) entre o córrego do Sabino, próximo ao ponto de captação de água que abastece Mogi das Cruzes conhecido como Pedra de Afiar e a ponte da avenida João XXIII, em César de Souza. Nesse trecho, plantas aquáticos denunciam o abandono e poluição do rio.

Ao contrário do passado, quando as primeiras maiores cargas de dejetos acontecia a partir dos bairros populosos de Mogi das Cruzes, hoje, o manancial está chegando mais sujo e poluído na cidade – um reflexo do crescimento imobiliário sem planejamento especialmente de Biritiba Mirim, mas também de Salesópolis, berço do principal rio paulista.

É sentença de morte, não de vida, a vegetação que cobre a linha d’água do rio em César, estampada em nossa primeira página de domingo.

O aumento da descarga de esgoto residencial e agrícola nutre espécies invasores que desequilibram a fauna e flora ribeirinha e ajudam a provocar enchentes.

O Governo do Estado sabe quanto o desassoreamento é vital para controlar a operação das barragens do Alto Tietê, mas não tem um planejamento pontual para isso. Tanto que a principal limpeza em um trecho de 14 quilômetros do rio em Mogi das Cruzes ocorreu no final da década de 1990.

De lá para cá, aconteceram ações paliativas, em trechos esparsos. À falta do tratamento pleno dos esgotos, o ideal seria uma limpeza a cada três anos.

Apresentado pelo jornalista Darwin Valente, em nossa edição de domingo, o diagnóstico desses problemas sustenta a decisão do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê. Ver esse trecho limpo atende a uma grande causa social e ambiental.

Por isso, o desassoreamento foi defendido pelo prefeito Marcus Melo. Desde o ano passado, ele cobra respostas para os prejuízos sofridos por famílias e produtores rurais afetados pela cheia do Rio Jundiaí, o que foi uma falha brutal do Governo do Estado no monitoramento dos riscos de enchentes. Anos mais chuvosos, voltarão a acontecer.

Difícil dizer quando as obras começarão. Primeiro, virão o licenciamento ambiental, licitações e a liberação do dinheiro propriamente dito. Aprovar o recurso do Fehidro é passo inicial, a ser seguido de perto. Basta lembrar que parte dos recursos liberados no ano passado ainda estão sendo esperados agora pela região.


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