EDITORIAL

A história da pandemia

O Brasil registra hoje um padrão de declínio da contaminação e dos óbitos causados pela Covid-19. O país ocupa o segundo lugar no ranking de mortalidade no mundo. E poderá se manter nesse posto até o final da pandemia.

É um momento tratado com ressalva pela Organização Mundial de Saúde e especialistas em epidemiologia. E isso porque países que vivenciaram certa estabilidade caminharam para o relaxamento das imposições do isolamento social e, logo depois, acompanharam a retomada da infecção.

Nesta semana, alguns rankings elaborados sobre o comportamento da doença ajudam a medir a situação regional. Um estudo publicado pelo jornal Folha de S. Paulo, baseado em dados epidemiológicos de um período de 30 dias, situa Mogi das Cruzes, atrás apenas de São José dos Campos, no ritmo de aumento acelerado dos casos da doença.

E, ontem, O Diário trouxe a pesquisa mensal do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, que permite comparar os índices de letalidade baseados no total de mortes, infecções e cura.

Nesse levantamento, os dados municipalizados revelam claramente o maior o impacto da doença em cidades menores, como Biritiba Mirim e Guararema, que tiveram têm as piores performances de letalidade, com 10,6% e 8,42% respectivamente. Arujá tem o “menos” grave dos quadros, com índice de 4,72% de letalidade, seguida de Mogi das Cruzes, com 5,82%. Mas, veja, no Brasil, esta taxa ronda os 3,1%. Mesmo Arujá, está longe dessa média.

A história da pandemia tem ciclos, ondas. O acompanhamento e a análise desses dados se tornam ferramenta poderosa para a defesa da parcela da população que continuará morrendo até a descoberta e a vacinação dos grupos vulneráveis.

Até esse ponto da história, o cansaço e o estresse emocional podem reforçar duas experiências humanas conhecidas: a negação – tão falada nos últimos tempos – e a acomodação diante de determinadas situações.

A percepção sobre a crise sanitária muda. E hoje ela é contaminada pelas internações reduzem, hospitais de campanha que fecham. E, aí, reside o perigo. Sem cura, e nem vacina, os protocolos sanitários continuarão salvando vidas.

O poder público tem obrigação de continuar zelando pela parcela invisível da população e está na linha de infecção deste coronavírus – os mais velhos, os doentes e os profissionais de saúde. O cidadão pode ser levado a pensar, que está tudo caminhando muito bem. Mas, a realidade não é bem assim.


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